A família de igrejas antigas que não aceitou o Concílio de Calcedônia, em 451. Aceitam os três primeiros concílios — Niceia em 325, Constantinopla em 381 e Éfeso em 431 — e param ali. São a Igreja Copta, no Egito; a Apostólica Armênia; a Etíope Tewahedo e a Eritreia; a Siríaca; e a Malankara, na Índia. Somam cerca de sessenta milhões de fiéis, e têm comunidades no Brasil.
Ortodoxa quer dizer reta doutrina. Orientais marca a região onde nasceram. Também são chamadas de pré-calcedonianas, porque a fé delas se define até o concílio anterior a Calcedônia.
Que em Cristo a divindade e a humanidade estão unidas numa só natureza encarnada, sem mistura, sem mudança e sem divisão. É o que se chama miafisismo: mia é uma, em grego. Não é o mesmo que monofisismo — a doutrina de Êutiques, que estas igrejas também condenaram.
Liturgias antiquíssimas, cantadas, com incenso e ícones, celebradas em línguas antigas: o copta, que é o último estágio da língua do Egito dos faraós; o ge'ez na Etiópia; o armênio clássico; e o siríaco, um dialeto do aramaico que Jesus falava.
Em 451, o Concílio de Calcedônia definiu que Cristo é uma pessoa em duas naturezas. Estas igrejas entenderam que essa fórmula dividia Cristo em dois, e não aceitaram — não por crerem outra coisa, mas por lerem as palavras de outro jeito. Ali o cristianismo se dividiu pela primeira vez, seiscentos anos antes de 1054. Do século XX para cá, declarações conjuntas com Roma e com os ortodoxos gregos concluíram que a fé é a mesma e a briga foi de vocabulário — mas a separação continua.
O jejum organiza o ano inteiro. Na Etiópia, tira-se o calçado para entrar na igreja, e homens e mulheres costumam ficar em lados separados. Entre os coptas é comum a cruz tatuada no pulso, marca que atravessou séculos de perseguição.
Os jejuns são os mais longos do cristianismo: entre coptas e etíopes somam cerca de duzentos dias por ano. Em dia de jejum não se come nada de origem animal — nem carne, nem leite, nem ovo —, o que na prática é uma alimentação vegana por mais da metade do ano.
A cruz copta, de braços iguais; a khachkar armênia, cruz esculpida em pedra; e o tabot etíope, a réplica das tábuas da Lei que fica guardada em cada igreja.
Canto antigo, em língua antiga. Na Etiópia o louvor tem tambor e sistro — o chocalho de metal que vem do Egito faraônico — e movimento de corpo; entre coptas e armênios o canto é mais contido.
Coptas e etíopes celebram o Natal em 7 de janeiro. O calendário etíope tem treze meses e corre cerca de sete anos atrás do nosso: quem está lá vira o ano em setembro.
Costume não é doutrina. O que está aqui varia de congregação para congregação, de região para região e de geração para geração — e muita coisa que já foi regra hoje é escolha de cada comunidade.
A Armênia foi o primeiro país do mundo a adotar o cristianismo como religião oficial, em 301 — doze anos antes de Roma sequer legalizá-lo. A Bíblia etíope tem 81 livros, mais do que qualquer outra. E o patriarca copta também é chamado de Papa: o título é anterior ao uso romano.
As mesmas coisas têm nomes diferentes em cada tradição. Saber o nome certo é o primeiro passo para entender de dentro.
Três ressalvas, e as três importam. Primeira: o nome confunde em português. "Igreja Ortodoxa Oriental", no singular, costuma designar a grega e a russa, que são de outra família e aceitaram Calcedônia. Segunda: chamá-las de monofisitas é erro, e elas rejeitam o termo — monofisismo é a doutrina de Êutiques, condenada por elas também. Elas se dizem miafisitas. Terceira: não são uma igreja só, e sim uma família de igrejas que se governam sozinhas e estão em comunhão umas com as outras.
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