A igreja dos primeiros trezentos anos: sem prédio, sem poder e quase sempre sob perseguição. Reunia-se em casas, e é nesse período que os textos do Novo Testamento são escritos, copiados e postos em circulação — embora a lista fechada dos 27 livros só venha a ser reconhecida depois, no século IV.
Igreja vem do grego ekklesia, "assembleia" — os chamados para fora, reunidos.
A fé transmitida pelos apóstolos: Jesus é Senhor, morreu e ressuscitou, e voltará. Batismo como entrada e Ceia como memória e comunhão.
Em casas, com leitura das Escrituras e das cartas dos apóstolos, oração, cânticos e a Ceia. O batismo era normalmente por imersão, depois de um tempo de instrução — embora a Didaqué, de cerca do ano 100, já permita derramar água sobre a cabeça quando não houvesse água corrente.
A fé de um grupo judeu se abre aos não judeus e se espalha pelo Império, sem estrutura oficial e sem apoio do Estado. A pergunta do primeiro concílio, em Atos 15, não foi "o judeu pode parar de ser judeu?" — foi "o não judeu precisa virar judeu para entrar?". A resposta foi não. Mas ninguém pediu aos apóstolos judeus que deixassem de sê-lo: Pedro e João continuavam subindo ao Templo na hora da oração, e Paulo, décadas depois, diz no presente que é fariseu.
O batismo vinha depois de um preparo longo — em alguns lugares, até três anos de instrução antes de a pessoa ser batizada.
A primeira grande decisão da igreja foi justamente sobre comida: em Atos 15, os apóstolos definem que os cristãos vindos de fora do judaísmo não precisariam guardar toda a lei alimentar. Pediram apenas que se abstivessem de sangue e de carne de animal sufocado.
O peixe era sinal de reconhecimento entre cristãos em tempo de perseguição: as letras da palavra grega ICHTHYS formavam uma frase sobre Cristo. Também a âncora e o bom pastor.
Salmos e hinos cantados sem instrumento, com a comunidade inteira.
O domingo passa a ser o "dia do Senhor", por causa da ressurreição.
Costume não é doutrina. O que está aqui varia de congregação para congregação, de região para região e de geração para geração — e muita coisa que já foi regra hoje é escolha de cada comunidade.
Os cristãos eram acusados de duas coisas curiosas: de ateísmo, por não cultuarem os deuses de Roma, e de canibalismo, porque quem ouvia de fora entendia errado a linguagem da Ceia. As perseguições não foram contínuas: vieram em ondas, sob Nero em 64, Décio em 250 e Diocleciano a partir de 303.
As mesmas coisas têm nomes diferentes em cada tradição. Saber o nome certo é o primeiro passo para entender de dentro.
A separação entre judaísmo e cristianismo levou cerca de trezentos anos, e não um dia. Ainda em 386, em Antioquia, João Crisóstomo precisava pregar contra cristãos que continuavam frequentando a sinagoga.
Muitas igrejas de hoje se entendem como a continuação direta da igreja dos apóstolos, e outras como herdeiras dela. Montar uma lista seria dar razão a umas contra as outras, e não é isso que o site faz.