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1E dali a dois dias era a Páscoa, e a festa dos pães sem fermento; e os chefes dos sacerdotes, e os escribas buscavam um meio de prendê-lo através de um engano, e o matarem.
2Diziam, porém: “Não na festa, para que não aconteça tumulto entre o povo.”
3E estando ele em Betânia, na casa de Simão o Leproso, sentado à mesa , veio uma mulher, que tinha um vaso de alabastro, de óleo perfumado de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso de alabastro, derramou-o sobre a cabeça dele.
4E houve alguns que em si mesmos se indignaram, e disseram: “Para que foi feito este desperdício do óleo perfumado?
5Porque isto podia ter sido vendido por mais de trezentos denários, e seria dado aos pobres.” E reclamavam contra ela.
6Porém Jesus disse: “Deixai-a; por que a incomodais? Ela me fez boa obra.
7Porque pobres sempre tendes convosco; e quando quiserdes, podeis lhes fazer bem; porém a mim, nem sempre me tendes.
8Esta fez o que podia; adiantou-se para ungir o meu corpo, para a sepultura.
9Em verdade vos digo, que onde quer que em todo o mundo este Evangelho for pregado, também o que esta fez será dito em sua memória.”
10E Judas Iscariotes, um dos doze, foi aos chefes dos sacerdotes, para o entregar a eles.
11E eles ouvindo, alegraram-se; e prometeram lhe dar dinheiro; e buscava como o entregaria em tempo oportuno.
12E o primeiro dia dos pães sem fermento, quando sacrificavam o cordeiro da Páscoa, seus discípulos lhe disseram: “Onde queres que vamos preparar para comerdes a Páscoa?”
13E mandou dois de seus discípulos, e disse-lhes: “Ide à cidade, e um homem que leva um cântaro de água vos encontrará, a ele segui.
14E onde quer que ele entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o cômodo onde comerei Páscoa com meus discípulos?
15E ele vos mostrará um grande salão, ornado e preparado; ali fazei os preparativos para nós.”
16E seusdiscípulos saíram, e vieram à cidade, e acharam como havia lhes dito, e prepararam a Páscoa.
17E chegada a tarde, veio com os doze.
18E quando se sentaram à mesa , e comeram, Jesus disse: “Em verdade vos digo, que um de vós, que está comendo comigo, me trairá.”
19E eles começaram a se entristecer, e a lhe dizer um após outro: “Por acaso sou eu?” E outro: “Por acaso sou eu?”
20Porém ele lhes respondeu: “É um dos doze, o que está molhando a mão comigo no prato.
21Em verdade o Filho do homem vai, como está escrito sobre ele; mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído; bom lhe fosse ao tal homem não haver nascido.”
22E enquanto eles comiam, Jesus tomou o pão; e bendizendo, partiu-o, deu-lhes, e disse: “Tomai, comei, isto é o meu corpo.”
23E tomando o copo, e dando graças, deu-lhes; e todos beberam dele.
24E disse-lhes: “Isto é o meu sangue, o do novo testamento, que é derramado por muitos.
25Em verdade vos digo, que não beberei mais do fruto da vide, até aquele dia, quando o beber novo no Reino de Deus.”
26E depois de cantarem um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
27E Jesus lhes disse: “Todos vós falhareis comigo esta noite; porque está escrito: Ferirei ao pastor, e as ovelhas serão dispersas.
28Mas depois de eu haver ressuscitado, irei adiante de vós para a Galileia.”
29E Pedro lhe disse: “Ainda que todos falhem, eu não falharei .”
30Jesus lhe disse: “Em verdade te digo, que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes.”
31Mas Pedro , insistindo, dizia: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, em maneira nenhuma te negarei.” E todos diziam também da mesma maneira.
32E vieram ao lugar, cujo nome era Getsêmani, e disse a seus discípulos: “Sentai-vos aqui, enquanto eu oro.”
33E tomou consigo Pedro, Tiago, e João, e começou a ficar muito apavorado e angustiado.
34E disse-lhes: “Minha alma totalmente está triste até a morte; ficai-vos aqui, e vigiai.”
35Então ele foi um pouco mais adiante, e prostrou-se em terra. E orou, que se fosse possível, afastasse dele aquela hora.
36E disse: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; passa de mim este copo; porém não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres .”
37Depois veio de volta, e os achou dormindo; e disse a Pedro: “Simão, estás dormindo? Não podes vigiar uma hora?
38Vigiai, e orai, para que não entreis em tentação; o espírito em verdade está pronto, mas a carne é fraca.”
39E depois que se foi novamente, orou, dizendo as mesmas palavras.
40Quando voltou, achou-os outra vez dormindo; porque os olhos deles estavam pesados, e não sabiam o que lhe responder.
41E veio a terceira vez, e disse-lhes: “Ainda estais dormindo e descansando? Basta, chegada é a hora. Eis que o Filho do homem é entregue em mãos dos pecadores.
42Levantai-vos, vamos; eis que o que me trai está perto.
43E logo, enquanto ele ainda estava falando, veio Judas, que era um dos doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e bastões, da parte dos chefes dos sacerdotes, dos escribas, dos anciãos.
44E o que o traía lhes tinha dado um sinal comum, dizendo: “Ao que eu beijar, é esse; prendei-o, e levai-o em segurança.”
45E quando veio, logo foi-se a ele, e disse-lhe: “Rabi, Rabi”, e o beijou.
46Então o agarraram, e o prenderam.
47E um dos que estavam ali presentes puxou a espada, feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha.
48Jesus começou a lhes dizer: “Viestes me prender com espadas e bastões, como se eu fosse um bandido?
49Todo dia eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes; mas assim se faz para que as Escrituras se cumpram.”
50Então todos o deixaram, e fugiram.
51E certo rapaz o seguia, envolto num lençol sobre o corpo nu. E os rapazes o agarraram.
52Mas ele largou o lençol, e fugiu deles nu.
53E levaram Jesus ao sumo sacerdote; e ajuntaram-se a ele todos os chefes dos sacerdotes, os anciãos, e os escribas.
54E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote, e ficou sentado com os oficiais, esquentando-se ao fogo.
55E os chefes dos sacerdotes, e todo o supremo conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matarem, e não o achavam.
56Porque muitos davam falso testemunho contra ele, mas os testemunhos não concordavam entre si.
57E alguns se levantavam e davam falso testemunho contra ele, dizendo:
58“Nós o ouvimos dizer: Eu derrubarei este templo feito por mãos, e em três dias construirei outro feito não por mãos.
59E nem assim o testemunho deles era concordante.
60Então o sumo sacerdote levantou-se no meio, e perguntou a Jesus: “Não respondes nada? O que estes testemunham contra ti?”
61Mas ele ficou calado, e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a lhe perguntar: “És tu o Cristo, o Filho daquele que é Bendito?”
62Jesus respondeu: “Eu sou. E vereis o Filho do homem sentado à direita do Poderoso , e vindo com as nuvens do céu.”
63E o sumo sacerdote, rasgando suas roupas, disse: “Para que mais necessitamos de testemunhas?
64Vós ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?” E todos o condenaram como culpado de morte.
65E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir o rosto dele; e a dar-lhe de socos, e dizer-lhe: “Profetiza”. E os oficiais lhe davam bofetadas.
66E, enquanto Pedro estava no pátio abaixo, veio uma das servas do sumo sacerdote.
67Quando ela viu Pedro, que estava sentado esquentando-se, olhou para ele, e disse: “Também tu estavas com Jesus, o Nazareno.”
68Mas ele negou, dizendo: “Não o conheço, nem sei o que dizes.”; e saiu para o alpendre. Então o galo cantou.
69A serva o viu outra vez, e começou a dizer aos que ali estavam: “Este é um deles”.
70Mas ele o negou de novo. E pouco depois, outra vez os que ali estavam disseram a Pedro: “Verdadeiramente tu és um deles; pois também és galileu”, e a tua fala é semelhante”.
71Então ele começou a amaldiçoar e a jurar, dizendo : “Não conheço esse homem de quem dizeis.”
72O galo cantou a segunda vez. E Pedro se lembrou da palavra que Jesus havia lhe dito: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes.” Então ele retirou-se dali e chorou.
1Faltavam dois dias para o início da festa da Páscoa, quando não se comia pão feito com fermento. Os sacerdotes principais e mestres da lei ainda estavam procurando uma oportunidade para prender Jesus secretamente e entregá-lo à morte.
2“Mas não podemos fazer isso durante a Páscoa”, diziam eles, “senão haverá uma revolta no meio do povo”.
3Enquanto isso, Jesus estava em Betânia, na casa de Simão, o leproso; durante o jantar, entrou uma mulher com um frasco de alabastro contendo um perfume muito caro, de nardo puro. Quebrando o frasco, ela derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus.
4Alguns dos que estavam à mesa ficaram indignados e disseram uns aos outros: “Por que esse desperdício de perfume.
5Isso podia ser vendido por trezentos denários e o dinheiro dado aos pobres!” E repreenderam a mulher severamente.
6Mas Jesus disse: “Deixem-na em paz; por que criticá-la por haver feito uma coisa boa?
7Vocês sempre têm os pobres entre vocês, e eles necessitam grandemente de auxílio; e podem socorrê-los sempre que quiserem, porém eu não vou ficar aqui por muito tempo.
8Ela fez o que podia, e antes do tempo ungiu o meu corpo, preparando-o para o sepultamento.
9Eu afirmo a vocês que em todo lugar onde a boa-nova for pregada em todo o mundo, o feito desta mulher será lembrado”.
10Então Judas Iscariotes, um dos Doze, foi aos sacerdotes principais para combinar como lhes entregaria Jesus.
11Quando os sacerdotes principais souberam por que ele tinha vindo, ficaram alegres e lhe prometeram uma recompensa. Então ele começou a procurar o momento e o lugar certo para entregá-lo.
12No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, quando os cordeiros eram sacrificados, os discípulos perguntaram a Jesus onde ele queria comer a ceia tradicional da Páscoa.
13Ele mandou dois de seus discípulos a Jerusalém fazer os preparativos. “Quando estiverem andando para lá”, disse-lhes ele, “vocês verão um homem que vem em sua direção carregando uma vasilha de água. Vão atrás dele.
14Onde ele entrar, digam ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: Onde fica a sala em que eu e os meus discípulos poderemos comer a ceia da Páscoa?’
15Ele levará vocês para uma sala grande toda arrumada no andar superior. Preparem a nossa ceia ali”.
16Então os dois discípulos foram para a cidade, acharam tudo como Jesus tinha dito, e prepararam a Páscoa.
17Ao anoitecer, Jesus chegou com os Doze.
18E quando eles estavam reclinados à mesa, comendo, Jesus disse: “Eu afirmo a vocês que verdadeiramente um de vocês vai me trair, um de vocês que está aqui, comendo comigo”.
19Uma tristeza enorme tomou conta deles, e perguntavam-lhe um a um: “Por acaso sou eu?”
20Jesus respondeu: “É um de vocês doze, um que está comendo do mesmo prato comigo agora.
21O Filho do Homem deve morrer, como os profetas declararam há muito tempo; mas, ai daquele que trai o Filho do Homem! Antes ele nunca tivesse nascido!”
22Enquanto eles estavam comendo, Jesus tomou um pão, deu graças, e partiu-o; depois deu a eles e disse: “Comam-no. Isto é o meu corpo”.
23Depois tomou um cálice de vinho, deu por ele graças e lhes ofereceu; e todos beberam.
24Em seguida disse-lhes: “Isto é o meu sangue, derramado em favor de muitos, para firmar a nova aliança entre Deus e o homem.
25Eu afirmo a vocês que não mais provarei deste vinho até o dia em que beber com vocês o vinho novo no Reino de Deus”.
26Então eles cantaram um hino e saíram para o monte das Oliveiras.
27“Todos vocês vão me abandonar”, disse-lhes Jesus, “porque está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas se espalharão’.
28“Mas depois de ressuscitar, irei para a Galileia e lá me encontrarei com vocês”.
29Pedro disse a ele: “Eu nunca o abandonarei; não importa o que os outros façam!”
30“Pedro”, disse Jesus, “eu afirmo a você que antes que o galo cante a segunda vez nesta noite, você me negará três vezes”.
31“Não!” insistiu Pedro. “Nem que eu tenha de morrer com o Senhor, eu nunca o negarei!” E todos disseram o mesmo.
32Nisso eles chegaram a um bosque de oliveiras chamado Getsêmani, onde Jesus ordenou aos discípulos: “Sentem-se aqui, enquanto vou orar”.
33Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a encher-se de profunda aflição e angústia.
34E disse-lhes: “A minha alma está esmagada pela tristeza a ponto de morrer; fiquem aqui e vigiem comigo”.
35Ele foi um pouco mais adiante, prostrou-se e orou para que, se fosse possível, a hora horrível que o esperava não chegasse.
36“Pai, ó Pai!”, dizia ele. “Tudo é possível para o Senhor. Afaste esse cálice de mim. Contudo, seja feita a sua vontade, e não a minha”.
37Então voltou aos três discípulos e os encontrou dormindo. “Simão”, disse ele a Pedro, “você está dormindo? Você não pôde vigiar comigo nem mesmo uma hora?
38Vigiem e orem para que não caiam em tentação. Pois embora o espírito esteja preparado, o corpo é fraco”.
39Ele retirou-se outra vez e orou, repetindo suas súplicas.
40Novamente voltou a eles e os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados. Eles não sabiam o que dizer.
41Voltando pela terceira vez, ele lhes disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Basta! Chegou a hora, e o Filho do Homem será entregue nas mãos dos pecadores.
42Venham! Levantem-se! Precisamos ir embora. Vejam! O meu traidor está se aproximando!”
43Imediatamente, enquanto ele ainda estava falando, apareceu Judas, um dos Doze. Ele chegou com uma multidão armada de espadas e cacetes, enviada pelos sacerdotes principais, mestres da lei e outros líderes religiosos.
44O traidor Judas havia combinado com eles um sinal: “Vocês devem prender aquele a quem eu saudar com um beijo; procurem levá-lo em segurança”.
45Portanto, logo que chegaram, ele caminhou para Jesus. “Mestre!” exclamou, e o cumprimentou com um beijo.
46Então a multidão agarrou Jesus e o prenderam.
47Mas alguém puxou uma espada e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha.
48Jesus lhes perguntou: “Eu sou algum assaltante perigoso, para que vocês venham assim, armados para me prender?
49Por que não me prenderam no templo? Eu estive lá ensinando todos os dias. Porém estas coisas estão acontecendo para cumprir as profecias a respeito de mim”.
50Então todos os seus discípulos o abandonaram e fugiram.
51Havia um jovem que estava seguindo a Jesus, vestido apenas com um lençol de linho. Quando a multidão tentou agarrá-lo,
52ele escapou nu, deixando seu lençol para trás.
53Jesus foi conduzido à casa do sumo sacerdote, onde todos os sacerdotes principais, os líderes religiosos e os mestres da lei se reuniram.
54Pedro seguia Jesus de longe e então entrou pelo portão da residência do sumo sacerdote e agachou-se junto à fogueira, entre os guardas.
55Lá dentro, os sacerdotes principais e todo o Sinédrio estavam tentando encontrar alguma coisa contra Jesus para poder condená-lo à morte. Mas seus esforços eram em vão.
56Muitas falsas testemunhas se apresentaram, porém se contradiziam umas às outras.
57Finalmente uns homens se levantaram para testemunhar falsamente contra ele, e disseram:
58“Nós o ouvimos dizer: ‘Destruirei este templo feito por mãos humanas e em três dias construirei outro, não feito por mãos humanas!’ ”
59Mas mesmo nessa hora eles não conseguiram ser coerentes no seu depoimento!
60Então o sumo sacerdote levantou-se diante deles e perguntou a Jesus: “Você se recusa a responder a esta acusação? Que tem a dizer em sua defesa?”
61Mas Jesus não deu nenhuma resposta. Então o sumo sacerdote perguntou-lhe: “Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito?”
62Jesus disse: “Sou, e vocês verão o Filho do Homem assentado à direita do Deus Todo-poderoso, vindo com as nuvens do céu”.
63Então o sumo sacerdote rasgou as suas roupas e disse: “Para que esperar por testemunhas?
64Vocês ouviram sua blasfêmia. Qual é a sentença de vocês?” E todos votaram pela sentença de morte.
65Alguns deles começaram então a cuspir nele, vendaram-lhe os olhos e deram-lhe socos no rosto. “Ó profeta, quem foi que bateu em você agora?”, zombavam eles. E os guardas davam-lhe socos enquanto o levavam para fora.
66Enquanto isso Pedro estava lá embaixo, no pátio. Umas das criadas que trabalhavam para o sumo sacerdote passou por ali.
67Ela viu Pedro aquecendo-se na fogueira, olhou bem para ele e disse: “Você também estava com Jesus, o Nazareno”.
68Pedro, porém, negou, dizendo: “Eu não sei o que você está dizendo”, e saiu para o canto do pátio. Nessa mesma hora um galo cantou.
69A criada o viu de pé ali e começou a dizer aos outros: “Está ali! Ele é um deles”.
70Pedro negou outra vez. Um pouco mais tarde, outros que estavam ao redor da fogueira começaram a dizer a Pedro: “Você também é um deles, porque é da Galileia!”
71Ele começou a praguejar e a jurar: “Eu não sei nem quem é esse homem de quem vocês estão falando”.
72E imediatamente o galo cantou pela segunda vez. Então as palavras de Jesus voltaram à mente de Pedro: “Antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes”. E ele começou a chorar.
⚠ Esta tradução está em revisão, segundo a própria fonte.
1Faltavam agora dois dias para a Páscoa e para a Festa dos Pães Asmos, e os principais sacerdotes e os escribas procuravam um modo de prendê-lo com astúcia e matá-lo.
2Pois diziam: “Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.”
3Enquanto Jesus estava em Betânia, na casa de Simão, o leproso, sentado à mesa, veio uma mulher trazendo um frasco de alabastro com perfume de nardo puro, muito caro. Ela quebrou o frasco e o derramou sobre a cabeça dele.
4Mas alguns ficaram indignados e diziam uns aos outros: “Por que este desperdício de perfume?
5Pois isto poderia ter sido vendido por mais de trezentos denários e dado aos pobres.” E murmuravam contra ela.
6Mas Jesus disse: “Deixem-na em paz. Por que a incomodam? Ela fez uma boa obra para mim.
7Pois os pobres estarão sempre com vocês, e sempre que quiserem, podem fazer-lhes o bem; mas a mim vocês nem sempre terão.
8Ela fez o que pôde. Ela ungiu o meu corpo antecipadamente para o sepultamento.
9Com toda a certeza eu lhes digo: onde quer que este evangelho seja pregado em todo o mundo, o que esta mulher fez também será contado em memória dela.”
10Judas Iscariotes, que era um dos doze, foi aos principais sacerdotes para entregá-lo a eles.
11Eles, ao ouvirem isso, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava uma ocasião oportuna para entregá-lo.
12No primeiro dia dos pães asmos, quando sacrificavam o cordeiro da Páscoa, seus discípulos lhe perguntaram: “Onde o senhor quer que vamos preparar a Páscoa para que possa comê-la?”
13Ele enviou dois de seus discípulos e lhes disse: “Vão à cidade, e lá um homem carregando um cântaro de água virá ao encontro de vocês. Sigam-no,
14e onde quer que ele entrar, digam ao dono da casa: 'O Mestre diz: “Onde está a sala de hóspedes em que eu possa comer a Páscoa com meus discípulos?”'
15Ele mesmo lhes mostrará uma grande sala no andar de cima, mobiliada e pronta. Preparem tudo para nós ali.”
16Seus discípulos saíram, foram à cidade e encontraram tudo como ele lhes tinha dito, e prepararam a Páscoa.
17Ao cair da tarde, ele chegou com os doze.
18Enquanto estavam à mesa, comendo, Jesus disse: “Com toda a certeza eu lhes digo: um de vocês me trairá — aquele que come comigo.”
19Eles começaram a ficar tristes e a perguntar-lhe, um por um: “Por acaso sou eu?” E outro disse: “Por acaso sou eu?”
20Ele lhes respondeu: “É um dos doze, aquele que come comigo do mesmo prato.
21Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Melhor seria para esse homem se não tivesse nascido.”
22Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de abençoá-lo, partiu-o e deu a eles, dizendo: “Tomem, comam. Isto é o meu corpo.”
23Ele tomou o cálice e, depois de dar graças, deu a eles. Todos beberam dele.
24Ele lhes disse: “Isto é o meu sangue da nova aliança, que é derramado por muitos.
25Com toda a certeza eu lhes digo: não beberei mais do fruto da videira até aquele dia em que voltar a bebê-lo no Reino de Deus.”
26Depois de cantarem um hino, saíram para o Monte das Oliveiras.
27Jesus lhes disse: “Todos vocês tropeçarão por minha causa esta noite, pois está escrito: 'Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.'
28Contudo, depois que eu for ressuscitado, irei à frente de vocês para a Galileia.”
29Mas Pedro lhe disse: “Ainda que todos venham a tropeçar, eu não.”
30Jesus lhe disse: “Com toda a certeza eu lhe digo que você hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, me negará três vezes.”
31Mas ele falava com mais veemência: “Ainda que eu tenha de morrer contigo, de modo nenhum te negarei.” E todos diziam a mesma coisa.
32Chegaram a um lugar chamado Getsêmani. E ele disse aos seus discípulos: “Sentem-se aqui enquanto eu oro.”
33Ele levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a ficar muito angustiado e aflito.
34Ele lhes disse: “A minha alma está profundamente triste, até a morte. Fiquem aqui e vigiem.”
35Indo um pouco mais adiante, prostrou-se em terra e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.
36Ele dizia: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis. Por favor, afasta de mim este cálice. Contudo, não o que eu desejo, mas o que tu desejas.”
37Ele voltou e os encontrou dormindo, e disse a Pedro: “Simão, você está dormindo? Não pôde vigiar nem uma hora?
38Vigiem e orem, para que não entrem em tentação. O espírito, na verdade, está disposto, mas a carne é fraca.”
39Novamente ele se afastou e orou, dizendo as mesmas palavras.
40Ao voltar, encontrou-os dormindo novamente, pois os olhos deles estavam muito pesados; e não sabiam o que lhe responder.
41Ele veio pela terceira vez e lhes disse: “Durmam agora e descansem. Basta. Chegou a hora. Eis que o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.
42Levantem-se! Vamos! Eis que aquele que me trai está próximo.”
43Imediatamente, enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos doze, e com ele uma multidão com espadas e paus, enviada pelos principais sacerdotes, pelos escribas e pelos anciãos.
44Ora, aquele que o traía lhes havia dado um sinal, dizendo: “Aquele que eu beijar é ele. Prendam-no e levem-no com segurança.”
45Logo que chegou, aproximou-se dele e disse: “Rabi! Rabi!” e o beijou.
46Eles o agarraram e o prenderam.
47Mas um dos que estavam ali perto puxou a espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha.
48Jesus lhes respondeu: “Vocês saíram com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um salteador?
49Todos os dias eu estava com vocês no templo, ensinando, e não me prenderam. Mas isto é para que as Escrituras se cumpram.”
50Então todos o abandonaram e fugiram.
51Um certo jovem o seguia, vestindo apenas um lençol de linho sobre o corpo nu. Os jovens o agarraram,
52mas ele largou o lençol de linho e fugiu deles nu.
53Levaram Jesus ao sumo sacerdote. E todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas se reuniram com ele.
54Pedro o seguiu de longe, até dentro do pátio do sumo sacerdote. Ele estava sentado com os guardas, aquecendo-se junto ao fogo.
55Ora, os principais sacerdotes e todo o sinédrio procuravam testemunhas contra Jesus para o matarem, e não encontravam nenhuma.
56Pois muitos davam falso testemunho contra ele, mas os seus testemunhos não concordavam entre si.
57Alguns se levantaram e deram falso testemunho contra ele, dizendo:
58“Nós o ouvimos dizer: 'Eu destruirei este templo feito por mãos humanas, e em três dias construirei outro, não feito por mãos humanas.'”
59Mesmo assim, o testemunho deles não concordava.
60O sumo sacerdote levantou-se no meio deles e perguntou a Jesus: “Você não tem resposta? Que testemunho é esse que eles apresentam contra você?”
61Mas ele permaneceu calado e não respondeu nada. Novamente o sumo sacerdote lhe perguntou: “Você é o Cristo, o Filho do Bendito?”
62Jesus disse: “Eu sou. E vocês verão o Filho do Homem assentado à direita do Poder, e vindo com as nuvens do céu.”
63O sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: “Que necessidade temos ainda de testemunhas?
64Vocês ouviram a blasfêmia! O que acham?” E todos o condenaram como digno de morte.
65Alguns começaram a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe socos e a dizer-lhe: “Profetize!” E os guardas lhe davam bofetadas.
66Enquanto Pedro estava embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote,
67e, vendo Pedro a se aquecer, olhou para ele e disse: “Você também estava com o Nazareno, Jesus!”
68Mas ele negou, dizendo: “Não o conheço, nem entendo o que você está dizendo.” Ele saiu para o alpendre, e o galo cantou.
69A criada o viu e começou novamente a dizer aos que estavam ali perto: “Este é um deles.”
70Mas ele negou outra vez. Pouco depois, os que estavam ali perto disseram novamente a Pedro: “Verdadeiramente você é um deles, pois é galileu, e o seu modo de falar mostra isso.”
71Mas ele começou a praguejar e a jurar: “Não conheço esse homem de quem vocês falam!”
72O galo cantou pela segunda vez. Pedro se lembrou das palavras que Jesus lhe dissera: “Antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes.” Ao pensar nisso, ele chorou.
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